Leituras sobre saúde mental

Depressão: os principais sintomas, além da tristeza

A depressão é mais do que tristeza. Ela muda o sono, o apetite, a energia, a concentração e a forma como a pessoa enxerga a si mesma. Quando esses sinais aparecem quase todos os dias, por pelo menos duas semanas, e atrapalham a vida, é hora de procurar uma avaliação.

A depressão é um dos transtornos mentais mais frequentes do mundo. A Organização Mundial da Saúde estima mais de 264 milhões de pessoas com depressão, e ela já é apontada como uma das principais causas de incapacidade.*

No Brasil, os números também chamam a atenção. Em um levantamento citado no Tratado de Psiquiatria da Associação Brasileira de Psiquiatria, 10,4% dos brasileiros tiveram depressão nos últimos 12 meses, e 18,4% ao longo da vida. O primeiro episódio costuma aparecer no início da vida adulta, e a depressão é cerca de duas vezes mais comum em mulheres.

Os principais sintomas

Segundo os autores do capítulo, o episódio depressivo é reconhecido por um conjunto de sinais que aparecem quase todos os dias, durante pelo menos duas semanas*:

  • tristeza, desânimo ou perda de prazer em coisas de que a pessoa gostava;
  • menos energia e cansaço;
  • mudanças no apetite, para mais ou para menos;
  • mudanças no sono, como insônia ou sono em excesso;
  • diminuição da libido;
  • lentidão ou agitação no corpo e no pensamento;
  • dificuldade de concentração e de tomar decisões;
  • culpa e sensação de não ter valor;
  • em alguns casos, pensamentos de morte ou de suicídio.

Pelos critérios do DSM-5, o diagnóstico pede pelo menos cinco desses sintomas, e um deles precisa ser o humor deprimido ou a perda de interesse e de prazer. Em adolescentes, o humor pode aparecer como irritação em vez de tristeza.

Quando a depressão não parece depressão

Muita gente espera reconhecer a depressão pela tristeza, e por isso demora a perceber o que está acontecendo. O livro lembra que os sintomas podem chegar de outras formas: irritação, angústia, impaciência com as pessoas, dificuldade no trabalho, cansaço, fraqueza ou dores e queixas no corpo sem explicação clara.*

Também existe uma forma mais arrastada, o transtorno depressivo persistente, antes chamado de distimia. Nele, o humor fica deprimido na maior parte dos dias durante pelo menos dois anos, muitas vezes com uma intensidade que a pessoa acaba confundindo com o próprio jeito de ser.

Os próprios autores alertam que os critérios ajudam no diagnóstico, mas não resumem a doença:

“a fenomenologia da depressão se estende muito além dos critérios utilizados pelo DSM ou pela CID”*

Por que a avaliação importa

Nem todo período de tristeza é depressão. O luto, por exemplo, é uma reação natural a uma perda. Algumas doenças clínicas e alguns medicamentos também podem causar sintomas parecidos.* Separar uma coisa da outra é o primeiro passo do tratamento:

“O sucesso do tratamento dos [transtornos depressivos] inicia pelo correto diagnóstico, aliado ao conhecimento detalhado da história de vida do paciente.”*

Como é o tratamento

O tratamento depende da intensidade do quadro. Nos episódios leves, medidas como atividade física e conexão social podem ajudar. Nos moderados e graves, a medicação antidepressiva passa a ser a base do tratamento, e a combinação com psicoterapia é uma das estratégias mais estudadas.*

O acompanhamento é importante porque a resposta leva tempo. Cada dose precisa de algumas semanas para mostrar efeito, e muitas pessoas precisam de ajustes até encontrar o tratamento certo. O objetivo, segundo o livro, vai além de reduzir os sintomas: é recuperar a qualidade de vida e o bem-estar.

Se você se reconheceu

Se vários desses sinais fazem parte dos seus dias há algumas semanas, vale procurar uma avaliação, mesmo que você não saiba explicar direito o que sente. E se você tiver pensamentos de morte ou de se machucar, procure ajuda imediata: ligue para o CVV no 188 ou vá ao pronto-socorro mais próximo.

* CALDIERARO, Marco Antonio; MOSQUEIRO, Bruno Paz; FLECK, Marcelo Pio de Almeida. Transtornos depressivos. In: NARDI, Antonio Egidio; SILVA, Antônio Geraldo da; QUEVEDO, João (org.). Tratado de psiquiatria da Associação Brasileira de Psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2022. cap. 21.

Você não precisa chegar com tudo explicado

Na primeira consulta, a Dra. Paula ouve a sua história com calma, avalia os sintomas e investiga outras causas possíveis antes de propor um tratamento.